POETA

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

A MINHA SAUDOSA MÃE

Querida Mãe, recordo com tristeza e nostalgia
a tua figura na janela, despedindo-se de mim,
senti nesse gesto de adeus a tua agonia,
Tu que foste sempre um maravilhoso querubim
Na mente e no coração guardei essa imagem,
jamais te voltei a ver,
para longe parti em viagem,
meses depois vinhas a falecer.
Dez anos são, hoje, volvidos,
mas quem se ama jamais esquece
dos nossos ente queridos,
e, em nossos corações permanece.
Que Tua santa alma, em descanso esteja,
junto dos familiares que a ti se juntaram,
que Deus sempre vos proteja,
já que cá que em vida muito penaram



sábado, 17 de julho de 2010

MOSTEIRO EM CHIANG RAI


O MEU CARINHO




Quando se sentir triste sorria.
Pois sabe que não está sózinho,
Têm os amigos por companhia..
Pois mesmo longe não esquecem.
Quem lhes traz sempre alegria.


Delmira Figo - Redondo - Portugal

sexta-feira, 16 de julho de 2010

VAIDADE



A vaidade é uma componente psicológica de todo o ser humano, é um sentimento de ligação entre o corpo e a mente.


A vaidade não é mais de um desejo de provocação, em atrair a admiração das outras pessoas. Estas pessoas, vaidosas, revelam, com extravagância, seus pontos positivos, ocultando os negativos.


As mulheres por natureza são vaidosas, muitas delas no bom sentido, gostam de chamar à atenção, umas pelas suas linhas corporais esteticamente perfeitas, outras pela sua inteligência e capacidade de lidar com as pessoas e com as coisas de uma forma super positiva, porém outras e outros (homens) são vaidosos pela negativa, pela ostentação de riqueza, no sentido de humilhar as outras pessoas de menos posses financeiras.


Porém a vaidade quando tem um sentimento de ganância ela se torna uma doença de caráter, e neste caso um sentimento negativo, desejando só para si tudo o bem estar e o melhor existe em seu redor e não só.


A vaidade pode ser um forte motivo de orgulho, de auto-estima pelos trabalhos realizados com sucesso e que se torna uma forma de motivação para dar continuidade a esses trabalhos.


Mas como tudo existem sempre duas faces da moeda, e a vaidade, quando egoísta, e este mal se está propagando cada vez mais na nossa sociedade, nos dias de hoje, e fato de discórdia de guerras, onde se esquecem os valores morais para darem lugar ao lucro fácil.


Na maioria dos casos a vaidade serve para causar inveja nas outras pessoas sem outro fim em mente.


Como muito bem diz o povo em seus provérbios “ A VAIDADE É O ALIMENTO DOS TOLOS” “ A VAIDADE É IRMÃ DA BELEZA E A LUXURIA É SUA FILHA”.


Bangkok, 22 de Janeiro de 2552 (2009)


António Manuel Fontes cambeta


BLOGTOK CICLOS DE POESIA 7 PECADOS VAIDADE ANTÔNIO CAMBETA


VAIDADE I



A vaidade é irmã da luxuria e da beleza
Que os seres humanos, tais pavões
Revelam orgulho, mas sem gentileza
Por não serem humildes seus corações

Vivemos num mundo de vaidade
E onde e por qualquer razão
Nela se incorpora a maldade
Faltando senso e compaixão

A vaidade é geradora de males,
Mas igualmente o princípio do bem
Tal montanha com seus vales
Que méritos têm também


Bangkok, 22 de Janeiro de 2552

António Manuel Fontes Cambeta


Citação de Florbela Spanca



Vaidade
Sonho que sou a Poetisa eleita, (Aquela que diz tudo e tudo sabe, (Que tem a inspiração pura e perfeita, (Que reúne num verso a imensidade! ((Sonho que um verso meu tem claridade (Para encher todo o mundo! E que deleita (Mesmo aqueles que morrem de saudade! (Mesmo os de alma profunda e insatisfeita! ((Sonho que sou Alguém cá neste mundo ... (Aquela de saber vasto e profundo, (Aos pés de quem a Terra anda curvada! ((E quando mais no céu eu vou sonhando, (E quando mais no alto ando voando, (Acordo do meu sonho ... E não sou nada! ... ((Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

DO AMOR

                   O articulista, sua prima Cremilda Cambeta, poetisa, e a esposa do articulista.


                                                                  Amor!
                                                         Impossível defini-lo...
                                                       É tão vasto e profundo.
                                                         É tão belo e radioso...
                                                               Amor!
                                                        É Deus em acção.
                                                    Sem principio e sem fim.
                                                     Porque Deus é amor...
                                                        É eterno e forte.
                                                      Impossível limita-lo.
                                                            Amor!
                                                       Sabor da vida
                                                   vivida em plenitude.
                                               Validando todas as virtudes.
                                                    - Aperfeiçoando-as.
                                                Impossível conhecê-lo.
                                                    Não fora Cristo
                                                        revelá-lo
                                                        na cruz.

Poema de Cremilda Cambeta.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SONHO DE CRIANÇA


                                          Quando criança, eu tinha um sonho recorrente:
                                                 Uma bola grande, não maior do que eu,
                                             Escura, com aspecto de compacta e pesada,
                                              Rolava, declive abaixo, em minha direção!

                                                               Estou vendo a cena!...
                                                  Eu não gostava de sonhar com ela,
                                             Mas não se tem controle sobre os sonhos...
                                         Ameaçadora, ela massacrava a paz do meu sono.

                                          Tinha cor de chumbo, de asfalto novo, de pneu,
                                                 Mas nunca me lembrou um pneu,
                                          A não ser agora, quando associo as cores...
                                                        Há coisas que tememos

                                                           E jamais acontecem!...
                                                         A bola não me alcançou!
                                                    Deus não deixa, Nunca deixou!

Euna de Oliveira

domingo, 21 de março de 2010


Este Tony Cambeta meu padrinho
Que não pára de me surpreender
Não consigo faze-lo parar
Já não sei o que fazer

Tenho pena de não poder
Fazer o mesmo e surpreender
Como faz o meu padrinho
Mas estou nesta situação
E sem outra solução
Só lhe posso dar carinho

Esse sentimento lhe darei
Sempre sem hesitar
Estarei sempre presente
E com carinho para lhe dar

Homem de letras e poesia
E de muita sabedoria
Com um grande coração
Vive a fazer o bem
E dar a quem não tem
Lá em terras de Sião


Arménio Cruz
Março de 2008

domingo, 14 de março de 2010

EMBARQUE DE FEZES


Num quente e humido dia de verão
cumprindo a minha missão,
a zona norte da cidade fui ron
e, então vi a navegar
imensas embarcações
que iam e vinha atracando a ponteões,
logo se formou no pensamento
o que se passava no momento.

Pensando que contrabando se estava a tratar
e, patrulha não vendo o fui procurar,
o encontrei, estava ele sentado
e muito bem instalado,
nem por mim dando ao chegar
mas ao em mim reparar
encavacado ficou
e prontamento continência efecto-ou

Pela sua postura o chamei a atenção
e quis saber logo a razão
o porquê daquela embarcação ali atracou
e que carga ela embarcou
Sem a licença mostrar
por isso estava a indagar
e o guarda prontamente respondeu
que tinha sido merda que a embarcação meteu.

Embaraçado com a resposta fiquei
e logo dali me ausentei
ficando no ar um fedor a pairar
e admirado pela forma de um macaense falar
fezes ou adubo orgânico não o sabia dizer
para me poder melhor explicar
e que pobres agricultores da China ali estavam a embarcar.

sábado, 13 de março de 2010

JORNAL MANOBRA

Mais uma vez, novo comadante a Macau chegou
e muitas coisas veio mudar
muita coisa ele alterou
pela sua forma de ser e de pensar.

De Portugal ele vinha
depois da revolução
outra mentalidade aberta ele tinha
e muita compreensão

Dizia ele em sua filosofia
ter que a corporação conhecer
era a ele que competia
desse modo proceder

Conselheiros da revolução
em Macau se encontravam
com novos ensimentos e muita confusão
de um digno oficial não gostavam

O governador precionado
pelos conselheiro da revolução
a esse distinto soldado
o teve que mandar para a prisão

O capitão do porto não gostou
desse modo do governador proceder
e então se rebeliou
e a essa ordem não quis obedecer

Debaixo dessa tensão
a anarquia reinava
o oficial na prisão
e a Marinha sem comando esta

Foi então a Marinha vigiada
vinte e quatro horas por dia
pela Psp e uma especial brigada
e do quartel ninguem saía

O governador com receio
aos agentes da Marinha foi falar
e fora do seu meio
lá se teve que explicar

Sanada a situação
capitão do porto e o distindo oficial
lá sairam da prisão
embarcando para Portugal

Foi então que se criou
na nossa corporação policial
um ilustrado jornal
fazendo ecos da situação.

Manobra foi assim chamado
e nele eu participei
tudo lá era narrado
muita verdade eu lá contei

Alguns anos ainda sobreviveu
até era recomendado
mas um dia então morreu
por ser bem censurado

Censura em Macau ainda havia
a liberdade não tinha chegado
não se podia dizer o que sentia
e tudo ficou acabado

Mas coisas então mudaram
por fim a liberdade chegou
e por ela ansiaram
por fim o comando mudou

O jornal esse nunca mais apareceu
e os folhetos publicados
foram para ao museu
lá ficando bem guardados.






LIÇÕES DE SAMPANA


Depois de um dia embarcado
saindo de lá bem estafado,
na doca tinha que me apresentar
para lições de sampana praticar

Duas horas de instrução
era essa a duração,
que dava para enjoar
mesmo sem o pequeno almoço tomar.

Era esse o sacrificio
sendo esse o meu ofício
nada tinha a lamentar
senão remadas de sampanas praticar.

Frustado, isso sim ficava,
pois o outro não remava
e grande peso ali fazia
e eu remando lá ia.

Bolhas nas mãos criando
minhas forças desgastando,
com o outro não podia
que nada fazia e só se ria.

Mas como lá diz o ditado
quem por último ri, ri melhorado,
e preguiçoso como ele era
para não ficar à espera.

À muralha abiquei
e para terra saltei,
o meu colega hesitou
e nas sujas águas mergulhou.

Ficando de pernas para o ar
no lodo sua cabeça foi enterrar
então eu fiquei a rir
mas com receio dali sair.

Lá tive que o ajudar
e com um croque o puxar
saindo com lodo escorrendo
e uma lição aprendendo.






                      Foi, nesta doca de D.Carlos I, que os factos narrados se passaram.

DACTILOGRAFO


Do frete corrido escorraçado
e na Marinha fui colocado
na contabilidade trabalhei
da poliícia não me afastei

E farda sempre envergando
por lá fiquei dactilografando
e outros serviços fazendo
contabilidade e pagamentos exercendo.

Anos por lá permaneci
não me deixavam ir embarcar,
por isso muito perdi
e a carreira congelar.

Assim estava regulado,
três anos no posto ter feito
e um ano embarcado
assim cumpria o perceito

Por fim lá fui embarcar
mas andava malfadado,
tirocinio não cheguei acabar
por agentes mais velhos terem reclamado.

Era a eles que competia
seu tirocinio efectuar,
voltei para a secretaria
e na contabiliadade de novo fui ficar.

Ao concurso não pode ir
por me faltar tempo de embarque
fui no concurso a seguir,
e ganhei esse combate.


Por todos era invejado
pela cultura e pelo saber,
por isso fui sacrificado
e tudo me mandavam fazer.








Nesta foto pode ver-se os serviços de contabilidade dos Serviços de Marinha à esquerda, e á direita a secretaria da Polícia Marítima e Fiscal. Ano de 1967.



















INCIDENTE NO RESTAURANTE






                                             Numa noite encontrando-me a rondar                                                                                  e necessitando jantar,
para o restaurante Imperador segui,
e lá então escolhi
                                                         qualquer coisa para comer
e um café para beber.
Foi quando vi dois indivíduos entrar,
e numa mesa ao lado se sentar,




como polícia era a minha profissão,
sobre eles recaiu minha suspeisão,
e não me haveria de enganar,
pois pouco depois vi chegar




um grupo com facas empunhadas,
grandes e bem afiadas,
e para tais os dois se dirigiu,
e logo, sem aviso, golpadas desferiu.




Tive então que atuar,
e lhes dei ordem para a agressão acabar,
e como polícia me identificando,
mas minha ordem não acatando,




um tiro para o ar tive que disparar,
para as agressões acabar.
Foi então que um tentou me agredir,
e um tiro tive que desferir,




a bala numa perna o foi alvejar
ficando logo a sangrar,
e no chão ficou prostrado.
Só deste modo a agressão tinha acabado.




Os facalhões fui recolher,
todos tiveram que obedecer,
e no chão ficaram deitados,
muito quietos e comportados,




pouco depois a polícia compareceu,
o ferido numa ambulância meteu,
os outros ela algemou
e numa carrinha os colocou.




Eu, ao comando fui telefonar
para tudo lhe contar.
Depois, a conta paguei e calmamente saí,
e para a Esquadra 1 me dirigi.




Lá chegando, com o comissário falei,
E auto eu datilografei,
narrando tudo o que se tinha passado,
e os tiros que tinha disparado.




As cadeiras tive que selar,
as facas embrulhar,
e ao auto todo juntar,
para no tribunal entregar.




O juiz julgamento não efetuou,
e em prisão preventiva os colocou.
Só meses passados,
foram então julgados e condenados.




E por as seitas pertencerem,
e pena mais leve não merecerem,
por três anos ficaram encarcerados,
e depois para a China recambiados.















sexta-feira, 12 de março de 2010

INSTRUÇÃO


Pensava ir encontrar
uma coorporação a valer,
e boa intrução ie levar
por à Marinha pertencer.

A Polícia Marítima e Fiscal
muitas missões desempenhava,
tinha o seu trem naval
e mercadorias fiscalizava.

Os postos fronteiriços controlava
era mais uma da sua missão,
a orla maritima patrulhava
e os estaleiros e navios em construção.

Mas havia de falta de meios e coordenação
e instrução não nos foi ministrada,
tivémos sim o RDM na mão
e a lição estava ensinada.

Ordem unida essa fizémos,
andando uma horas a marchar
foi só isso o que soubemos
e nos postos agentes acompanhar.

Eu para o mar fui destacado
numa velha vedeta embarquei,
andei quase sempre enjoado
os dias que por lá passei.

Parca foi a aprendizagem
nada me sendo ensinado,
ao convéns fazia lavagem
a isso era obrigado.

De madrugada de quarto ficava
sózinho lá no convéns,
o pessoal esse dormitava
e eu vendo o luar e as marés

Uma semana por lá andei
muitos disparates cometi,
pois uma noite numa escotilha me senti
e os vidros então parti.

O patrão já chateado,
esse velho lobo do mar
não me quis mais embarcado
e eu ao Comandante foi contar.

Para o Posto Fiscal fui aprende
como se procedia à fiscalização,
mas deu logo para entender
não me querem dar formação.

Um agente de primeira acompanhava
vendo como procedia,
eu para ele só estrovava
vendo o dinheiro que recebia.

Findava assim a lição
e para lá não mais voltei,
foi esta a instrução
e segundo o comando preparado fiquei.

Se pouco ou nada sabia
nada mais fiquei a saber,
fui então para a secretaria
por do frete corrido entender.










segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

INVEJA




A inveja é um sentimento de aversão,
um dos 7 pecados mortais
é uma reactiva formação
contra os mais fortes e os demais

É um sentimento gerado
Pela soberba e pelo egocentrismo
com um fim acorvardado
de disputa do poder pelo canalhismo

os atributos dos outros almejando
já que só por si o não conseguem
por sua intelectualidade os estar limitando
e a invenja para eles convergem

É uma vontade frustrada
de possuir as qualidades de um outro ser,
sendo cobiçada e muitas vezes tirada
inveja é invidere, não ver

o invejoso, não suporta
que outrem seja melhor,
e então assim se comporta
mostando sua indole no seu pior

Temos que ser talvez mediocres
visto que, cada bela impressão que causamos
perdemos as nossas virtudes,
e novos inimigos conquistamos


Quão doce é o louvor e a justa glória
Dos próprios feitos, quando são soados!
Qualquer nobre trabalha que em memória
Vença ou iguale os grandes já passados.

As invejas da ilustre e alheia história
Fazem mil vezes feitos sublimados.
Quem valerosas obras exercita,
Louvor alheio muito esperta e incita.

(Lusíadas, Canto V,92)











segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

PELOTAS - CIDADE GAUCHA



Pelotas doce cidade
onde o sol é mais azul,
é linda, tem qualidade,
sendo a Princesa do Sul

Das terras do Lago dos Patos nasceu,
Quando em 1758, o Conde de Bambadela,
ao Coronel Thomáz Luiz Osório ofereceu,
essa vasta e bela parcela

José Pinto Martins, do Ceará,
para lá se mudou
em 1870 e a história de Pelotas começará
com a Charqueada que fundou

Os indíos do Charco já as conheciam
mas, nomadas eram e as não habitaram,
as indústrias do charque nasceriam
e outras gentes para lá se mudaram

Capela a São Francisco de Paula foi erguida
Onde hoje, centro da cidade é
Lá, muitos portugueses recomeçaram sua vida
Bem como alguns adeptos de Maomé

Pelotas, ao Rio Grande do Sul pertence
Em 1835 da vila passou a cidade
Para orgulho de sua gente
Vivendo em alegria e prosperidade


Terra de pessegueiros e arrozais
sendo gauchos seus habitantes
pessoas trabalhadoras e leais
para o país são importantes


Pelotas nome de embarcação
De varas de corticeira forrada de couro
Usada nos tempos de antão
Época das charqueadas, valendo como ouro








sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

QUANDO O POETA PENSA E CHORA



Não sou o Sol,
tão pouco um planeta
sou um ser humano, não lesma ou caracol
que tem por nome Cambeta

Que, neste jardim que é vida
luz vai sempre irradiando
tendo uma alma sempre querida
a todos vai amando

Neste já velho e cansado coração
mora a honestidade e amor
e vai vivendo seus dias com paixão
por vontade de Deus Nosso Senhor

Esta parca luz, que de mim irradia
limpa as tervas para a luz
tornando a noite em pleno dia
à qual o amor seduz



                                                               Quando o poeta chora
As estrelas se calam
A lua se esconde sem graça
As rosas não exalam aromas
O mar espraia suas águas
As rimas se aquietam
Nos dicionários dobrados
Letras pacientes esperando
As lágrimas viajarem nos ventos
O peito pando navegando
Em sopros mornos de lamentos
Quando o poeta chora.

Antonio Miranda Fernandes





Mas, mesmo chorando o poeta, o Sol, esse Astro-Rei, todos os dias nos vêm iluminar, apagando em nós as tristezas.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

JÁ ENTROU O NOVO ANO








Haja paz, haja alegria,
Já começou um ano novo,
Haja muita poesia
Na alma do nosso povo.

Desde o Sul até ao Norte
Vamos todos caminhar
Por essa estrada da sorte
Doze meses sem parar.

Tenho plena convicção
Que este ano dois mil e oito
Não terá para a Nação
O sabor de um biscoito.

Não sustentem ideias falsas
Porque eu, até pressinto,
Para não perder as calças
Temos que apertar o cinto.

Cada vez mais baralhado
O povo até se acostuma
Mas o Zé, esse coitado,
Não acha graça nenhuma.

Ao Cantinho da Poesia
Mando a minha saudação,
Doze meses de alegria,
Muito amor no coração.

Mesmo que o ano seja rude
E nos traga algum transtorno,
Que Deus nos dê muita saúde
Alegria... e coza o forno

RAMA LYON

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

ÁNO VÊLO, ÁNO NÔVO




Unga áno intremente ta sai,
Lôgomente otrunga ta goelá.
Áno vêlo tá virá costa vai,
Áno nôvo qui azinha ta intrá.

Vida azinha-azinha corê,
Sã dia co mêz ligéro passá.
Gente antigo, susto di morê,
Pensá qui Mundo ta perto cavá.

Pôde vai co diabo, bicho traquino,
Áno oitênta quatro savanado.
Lembrá rabixá um-cento mufino
Pa azinha aguá co vôs juntado.

Olá êle batê asa aguá,
Nôs sintí qui mundo nádi saiám;
Tudo pauchong qui gente lô quimá,
Sã pa mundo nom têm consumiçám

Quim tá ánsia vai savaná azar,
Quim ta sacudi vento-suzo mau;
Ancuza galado, pinchá na mar,
Pa tirá saván di nôsso Macau

Áno vêlo, vôs bêm di buliçoso,
Já buli co nôs na estunga vânda.
Vôs já ficá unchindo mapeçoso,
Sã merecê Chaca-sa sarabânda.

Calistro, ispalhá fome na mundo,
Trazê qui tânto lágri di margura.
Esperánça di bom dia já vai fundo,
Inguiçado pa um-cento diabura.

Qui di ódio crecê na coraçám
Di gente qui vivo dizesperado
Na unga mundo fêto di vilám,
Co assi tánto pobre iscravizado.

Nhu-nhum ta rico querê más riquéza,
Nom-têm fim de olá saco inchido.
Gente pobre sã morê na pobrêza,
Cavá passá su vida consumido.

Tánto inocente onçôm pagá
Pecado di nhu-nhum dismazelado.
Qui vêlo, qui quiança já definhá,
Na casa-casa qui nom-têm telado.

Áno nôvo, lembrá trazê bom vento
Pa pôde suprá mufinaze vai.
Nunca-bom intrá co pê azarento,
Pa fazê mundo tropeçá pê cai.

Vêm co paz pa nôsso gente sofrido;
Pa quim fome, ne-bom isquecê pám,
Vêm co frescura di jardim florido,
Vêm co amôr pa tudo coraçâm.

Pa tud'alma qui ta vivo na treva,
Sandê unchinho di luz pa lumiá.
Pa tudo coraçám qui sã ta reva,
Vêm passá páno mimoso limpá.

Co graça di Céu, vôs vêm raganhado,
Pa ispaliá amôr, paz co bondade.
Vêm filiz, ficá justo, abençoado,
Pa tudo coraçám di bô vontade

- Poema em Pátua de José Ferreira dos Santos